quinta-feira, 8 de julho de 2010

O passarinho
O pardal desce a escadaria e busca a mesa: belisca nozes, pão de centeio e poucas uvas verdes, mas retorna ao quarto, pela mão estendida de Sarapo. Minutos  depois, o pássaro miúdo e franzino, bico entreaberto, pia(f) e cala-se.  Estava no repouso dos Alpes, não sob uma marquise ou  qualquer lar que lhe fora oferecido por piedade. Era aquele pássaro que criou-se cantando sob os arvoredos das ruas parisienses e que ganhou o nome de Môme Piaf, escrito por Laplée; tornando-se o grande pássaro da canção francesa, sob os cuidados de Asso, que a conduziu  como Edith Piaf. À luz da cidade amada, Paris a viu na amargura e no glamour; no entanto, acordou de luto: morte ocorrida nos arredores de Grasse. Insistia em cantar: quando não podia subir ao palco, levavam-na nos braços. E foi-se, assim, de lábios secos, querendo beber a última canção.

4 comentários:

  1. A propósito, Borges, minha amiga Beta diz que Gal é um golinha, passarinho danado pra cantar. O antropólogo Antonio Risério, que também é poeta, fala que Gal fez um pacto com os canários. Eu, que quase não ouço muita coisa ultimamente,nunca deixo de entrar em transe quando ouço a suavidade de Ella Fitzgerald. Abraços, João
    P.S.: Lembranças a Michel.

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  2. O talento de Gal é merecidamente reconhecido. Depois que a vi cantando Tom Jobim... O canto tem de ser inspirado nos pássaros, assim como o voo está pra o avião. E cantoras afora, latem, gritam, berram, miam....rsssss. Abração

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  3. PIAF!... Grande, imensa Piaf... E seu blog está lindo. Agora, sim: Sol Escrito mesmo...

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  4. Esse cabeçalho é sol da região, das serras. Diziam que Piaf flutuava como um beija-flor na rosa. Passarinho/águia. Abração

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